Cruza os céus, o pássaro de fogo!

FÊNIX

 

O pássaro de fogo, no céu passa ligeiro, rasgando os véus que tudo encobrem, deixando nua a realidade das coisas, como elas realmente são.
Pássaro peregrino, partes em busca da perfeição.
Com tuas leves asas, em círculos voas, antes de tomares outra direção.
Teu caminho pela certeza traçado um desenho faz no espaço solitário. Desejos em forma de asas!
Pássaro de fogo; voas sem destino.
E daí? O destino pouco importa somente a paisagem queres ver com cuidado.
A curta viagem que no céu empreendes, leva-te a alçar vôos maiores; cada vez mais altos, em busca de outros céus.
E lá de cima, observas a pira acesa que arde e te chama e tu, pássaro de fogo, pela união final anseias. E como uma flecha, dos céus atirada por algum Deus consciente, mergulhas direto na pira ardente.
Quando penso que tudo está consumado, então, das próprias cinzas renasces e um outro vôo, recomeças, rasgando o céu em hora incerta, como uma flecha para os céus atirada, por algum Deus consciente.

****

 

Segundo as lendas orientais, há um pássaro na Índia, a fênix, que, tal qual o cisne e o pelicano, é um símbolo de morte e renovação.
O temor da morte tem raízes profundas dentro de nossa alma, embora dela não possamos escapar. A lenda da fênix nos ensina a conviver com esse temor, um suave consolo para um fato que para muitos é inaceitável.
A história deste pássaro mítico é de origem grega, assim nos faz crer Garcin de Tassy, um escritor francês, tradutor do livro O Parlamento dos Pássaros, do mestre sufi Farid-ud-Din Attar.
Segundo ele, a fênix é um pássaro solitário, cujo bico, extraordinariamente longo e duro, é perfurado por muitos orifícios, que lembram uma flauta. Cada orifício produz um som diferente que revelam segredos profundos e sutis. Quando ela se faz ouvir, soltando seu canto, carregado de tristeza, tudo e todos os seres da natureza se afligem, subjugando, inclusive, as bestas mais selvagens. Depois, apenas o silêncio. Deste canto o sábio aprendeu a música.
O tempo de vida da fênix é longo, vive cerca de mil anos. Conhece também a hora de sua morte e, quando chega este momento, constrói para si uma pira, recolhendo lenho e folhas de palmeira. Então, após sentar-se no meio dela, canta tristes melodias. Ela treme como folha ao vento, pois a dor da morte penetra-lhe amargamente.
Todos os seres da terra, da água, do céu e do ar, aproximam-se, atraídos por seus lamentos. Através de seu exemplo, cada um, dentro de seu coração, se resigna a morrer, e muitos, de fato, morrem, pois a tristeza de vê-la assim é tanta que é impossível de se conter.
Quando só lhe resta somente um sopro de vida, o pássaro fabuloso bate suas asas, produzindo um fogo que rapidamente cresce e se espalha pelo lenho e pelas folhas de palmeira. A pira está acesa e o fogo arde agradavelmente. Logo o pássaro se torna brasa viva, e, instantes depois, apenas cinzas. Mas, para surpresa e alegria de todos, das cinzas, um novo pássaro renasce, mais perfeito e majestoso para viver por mais mil longos anos.

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    • ssssssssssss
    • 18 agosto, 2012

    gostei

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