Lusco-fusco! Vai-se a tarde. Boceja a noite!Barquinha de luar, no céumar, surge devagar…

MAL DORMENTE


Ah… meu amor,

Tudo me causa pena e rancor

A beleza destruída, desperdício de vida

Flores caídas, frutos arrancados, dilacerados antes do tempo,

Deixados ao chão a apodrecer

Folhas miúdas lançadas ao vento

Predestinadas ao tormento

Que tento dizer?

Se vale a pena tanto anseio

Se vale a pena tanto tecer planos e sonhos

Pra tudo, num abrir e fechar de olhos, desaparecer

A figura amada, aqui, a sorrir, sob a tua proteção

E num instante é fantasma, figura de plasma

Aurora que a saudade teima em esperar

O luto eterno aderiu-me à pele

Cerrou-me os lábios

Empalideceu-me as faces

Secou-me os olhos

E encheu-me de pesar

Meu coração é fundo pântano, encharcado de dor e mágoa

Minha alma é noite trevosa

Perdida na insensata tristeza do pensar,

Ai, o tormento de nada saber

Ai, a dor doída, maldita

Mistérios de morte, segredos de vida

Desdita

Um olhar perdido, um corpo caido

Um sofrimento constante causa-me consternação

Como fugir de inconcebível precipício?

Quem me dera alcançar uma estrela

A mais alta, a mais brilhante

E guardá-la na palma da mão

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