Bad times, good times…

Anna e eu

Foto by Luisa Gomes


CONFISSÃO


Minh’alma triste socorre-se de pequenos prazeres e doces sorrisos pra não se atormentar
Fragmentos de felicidades que, no calmo cotidiano, ajudam-me a sentar-me à mesa  e ouvir as mesmas notícias, as mesmas velhas histórias que só parecem novas porque um novo dia despontou
Arranco de dentro de mim a vontade de prosseguir e não penso nos perigos
e infortúnios que aguardam a cada um
Como enquanto alguém é esmagado, extirpado da vida
Como enquanto mil desgraças acontecem
Como enquanto as boas notícias não são notícias

Como ouso dar de ombros?
Não é comigo toda esta agonia
Se eu estivesse lá talvez me importasse mais
Se eu estivesse lá talvez nem dormisse
Notícias boas ou ruins são apenas notícias
Por enquanto não faço parte de nenhuma delas

A minha casa é uma ilha no oceano, um oásis num deserto
Já me importei tanto… outrora julgava-me a palmatória do mundo
Hoje, o que faço? Dou de ombros…
E dou de ombros não por indiferença e sim com certa pena

E como, tomo café e brinco com minhas filhas
“Conformada” ao destino do mundo
E aguardo, traçando com fios de ouro em tecido de sonhos o meu caminho
À espera de uma resposta mais clara ao sentido da vida
Meu eu caótico, destrutivo
Requer uma pausa das belas palavras

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