“Todos tem alguma teoria sobre mim… Eu me pertenço; sou o que sou (Omar Khayyam)


O DERVIXE


No meu céu sem estrelas

Não brilha o sol

Não surge a lua

A noite é sempre escura

Eu choro o tempo todo

Por dentro de mim

Eu chovo o tempo todo

Por fora de mim

Choro e chovo

Por dentro de mim

Chovo e choro

Por fora de mim

Por fora e por dentro

Por dentro e por fora

Rio de lágrimas que se forma e

Escorre da nascente dos olhos

E passa correndo ao longo de mim

Homem/mulher/rio…

O frio me consome

Assim como as noites insones

E as saudades e os amores sem fim

Carpideira solidária

Às dores alheias

Vou entre lamentos e cantos

Misturar-me aos desabrigados

Da sorte, servir de escudo

Ao guerreiro deixado a morte

Sob o meu céu inacabado

Ao longo das eras

Lanço a sorte por terra

Num jogo de dados viciados

Ou num baralho de cartas marcadas

Serei eu rei de ouros ou de espadas,

de paus ou de copas?

Rainha senhora dama louca de um mundo inventado?

Ás, “joker”, coringa, tolo, idiota

De um reino maravilhoso e distante

Vou… rumo ao desconhecido

Com a cabeça latejando…

Sem um instante de descanso

A solidão me serve de manto

Vou… em silêncio, ao abandono do tempo que não passa

Ao sabor das horas amargas

A escuridão é minha única morada

Por enquanto…

Em círculos, por esse mundo, vou girando…

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