“Domingo também se come!”

Mapinguari

Velho pajé

Sorrir no reboar do tempo

Ao relento

Palavras jogadas ao vento

Engolidas por sua boca monstruosa

Não é louco

Não é louca

Nem macho

Nem fêmea

Mas gera um poema

As palavras engolidas

São devolvidas sem muitas rimas

Não faz seu gênero

Bancar a intelectual irritante

Não faz mal

Mapinguari

Ao natural

Pra todos os gostos

Um bicho grande

Bicho do mato

Meio gente

Meio macaco

Ou como dizem uns/alguns

Bicho-preguiça mais que grande

Verdadeiro gigante

Voz atordoante de trovão

Que se ouve longe

Um ser desordenado

Desencontrado

Tem pés arredondados e virados

Longos pêlos embaraçados

Feio de dar dó

Não toma banho

Fede pra danar

Pior que gambá

Não respeita feriado

Nem dia santo

E domingo

Dia de descanso

Para ele é um dia

“Em que também se come”

Mapinguari

Garras afiadas

Devorador de homens

“Pega, mata e come”

É pior que carcará

Não morre nunca

Saiba já

Mas tem ponto fraco

É no umbigo

A parte sensível

Ou que tal uma baita

Certeira

Paulada na cabeça

Mas quem se anima

A tal proeza?

Alto lá!

É melhor não duvidar

Quê que há!

Mapinguari

Sabe se cuidar

O sujeito que for tentar

Irá fatalmente se arrepender

Pois nem terá tempo de correr

Que dirá se benzer

Fazer aos céus uma oração

Por obra de magia

O corajoso dito cujo

Esquecer-se-á de tudo

Ficará tonto

Ficará mudo

Verá a noite crescer em pleno dia

Há de esquecer-se de Deus

E da Virgem Maria

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