A negra senhora dos olhos de estrelas!

 

Meu coração está só e de aflição ele chora; não ouço os vossos passos, senhora, e não mais escuto a vossa voz. O sol esfriou e a aurora perdeu a sua cor. A solitária andorinha voou, partiu para além do mar; triste, o pássaro cativo também anseia voar, pois noutra terra está a donzela de negras tranças e suave sorriso. Ela, mais bela que a distante lua, despiu-se do seu manto de grandeza e humildemente, para o chão volveu seus olhos de estrelas: – Ouve -, disse ela, – o amado já vem.-

“Senhora, fascina-me o vosso olhar, mas fujo deles como alguém que, em pleno mar, teme ser arrastado pela fúria de uma tempestade. Por isso, detenho-me na ilusória segurança da praia; porém, quando revelados forem os sentimentos de vosso coração, cuidado! Nada mais restará, nem mesmo eu, senhora; pois com certeza, serei levado pelas ondas, tragado pela corrente impiedosa de vosso amor.

Tão bela era a lua que cego fiquei, fascinado de amor. Perdido no Vale da Busca; era um estranho numa terra estranha. Vagando pra lá e pra cá, lamentei a minha sorte e fui repreendido pelo sol: ‘Almejas a lua e não suportas a humilhação? A lua vos escolheu e devolves com indignidade tamanha devoção. Ó, néscio, não sabes que quando os segredos vos forem revelados, o vosso destino será também se transformar em lua?.’

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