Pé deVento

UM MUNDO DO LADO DE FORA…

UM MUNDO DO LADO DE DENTRO…

 

Era uma vez numa velha aldeia africana, um menino pequeno, franzino… miúdinho, miúdinho, parecia até um passarinho.

Todo dia ele se levantava junto com o sol e ficava à espera… Lentamente o sol ia abrindo caminho, clareando tudo na silenciosa manhã. Mas o silêncio não tardava a desaparecer, perturbado que era por toda espécie de sons, ruídos e cheiros, tanto de homens quanto de animais… Êheheh!

Logo a velha aldeia acordava e enchia-se de cores e num segundo, o menino, ao sentir no rosto a carícia amiga do vento, saia a correr desabalado, atravessando a aldeia, as campinas, as savanas, as florestas e as montanhas… até um deserto ele atravessou e chegou em casa antes que a mãe o chamasse para o almoço.

Corajoso, passava perto das feras, pois, sabia que elas não o podiam deter; nada o podia deter. Era mais rápido que a chuva, mais veloz que o rio, mais ligeiro que o pensamento… o menino era um pé de vento… Pé de Vento seu nome, Pé de Vento seu apelido, Pé de Vento por todos na aldeia (e além da aldeia, conhecido)… Pé de Vento… só Pé de Vento, por todos  sabido.

Muitas crianças da aldeia queriam ser como Pé de Vento, porém como não podiam alcançá-lo punham a culpa em qualquer parte do corpo, por exemplo: Os braços podiam ser maiores ou então bem que podiam ter um par de asas, que nem os pássaros, a cabeça devia ser mais redonda ou menos achatada, maior, menor, mais leve, nada pesada ou o nariz devia ser mais fino ou mais largo, mas, as pernas… não havia problemas com as pernas, não viam defeito nelas… as pernas, não… as pernas nunca eram curtas demais…

Pé de Vento tinha um mundo do lado de fora e um muno do lado de dentro. Via e ouvia o mundo pelo lado de fora… Via e ouvia o mundo pelo lado de dentro… percorria, nos dois, léguas e léguas, sem se cansar.

Quem o visse quieto, já se punha a imaginar… Se não estava a voar pelo lado de fora, com certeza, estava a voar pelo lado de dentro… Pé de Vento era assim, um menino muito sábio!

No mundo do lado de fora Pé de vento espera o sol nascer e se deitar; no mundo do lado de dentro é o sol uma grande bola para brincar, mas também pode ser uma barcarola que percorre rio e o mar…

No mundo do lado de fora, é a lua um disco de prata, dividido em quatro partes, no mundo do lado de dentro é a lua uma amável senhora que lhe conta histórias…

Pé de Vento tem uma música dentro de si que começa na batida de seu coração e segue mundo afora… e se completa no ritmo da chuva e no silente passar das nuvens… no sorriso dos velhos e das crianças e nos suspiros dos enamorados…

Pé de vento entende tudo; entende a linguagem cifrada do mundo… o de dentro e o de fora… pensa e dá-se conta de sua existência e saboreia com prazer o segredo de se andar em dois mundos… ah, se eles soubessem de quantos mistérios Pé de Vento é o único senhor e guardião… nem o xamã da tribo entende o menino Pé de Vento, sabe apenas que ele sábio… ah, como é sábio este menino…

E o melhor de tudo é que Pé de Vento, mesmo sendo veloz como um raio, rápido como um tigre, ligeiro como um furacão, nunca tem pressa… Pé de Vento sabe esperar… Pé de Vento sabe aceitar… Pé de Vento sabe, sobretudo, amar… Ah, como é sábio este menino!

Será, um dia, um belo homem com a força e a agilidade de um leão; um rei valente cuja grandeza nenhuma jaula será capaz de conter; será um homem com um eu de ouro, um homem que não esquecerá… Pé de Vento será, sobretudo, um homem que sabe amar.

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