“Trilham teus pés o caminho das águas sem fim; e tuas asas, sustentam-te nos ares do desolado mar do norte” (Swinburne)

 

Do Oriente para o Ocidente


Seguindo as informações que se tem desde a Idade Média, foi uma possível combinação de cultos anteriores e posteriores que acabaram por culminar no grande temor que acometeu a Igreja na Idade Média. Entre os principais responsáveis como propagadores da “antiga fé” consta-se a tribo Aniza; numerosa, rica, poderosa, oriunda dos remotos desertos da Arábia, aparentada ao clã dos faquires ou os “humildes de espírito”, que chegou à Espanha antes dos meados do século V, como aqueles, que, através de sua ferocidade nos campos de batalhas, acabaram por inspirar aos bardos tribais, com a expansão do Islã, vasto material a ser decantado, prática que muito contribuiu mais tarde, para o desenvolvimento do código de honra da cavalaria assim como dos poemas épicos de amor.


Estes beduínos remontam aos tempos pré islâmicos, dias dos árabes, cuja vida cotidiana era um conjunto de ações atribuladas e fabulosas. Guerreiros dotados de astúcia, habilidade estratégica e uma capacidade de, em um abrir e fechar de olhos, desfazerem-se de tudo. O preceito antigo “crescei e multiplicai-vos” era uma prerrogativa da tribo, que rapidamente se expandiu, chegando até aos nossos dias, em grande número nos desertos da Síria.


Abu El Atahiyya (748-c 828) “o pai da poesia sacra árabe” era um oleiro que viveu ao tempo do culto dos foliões (dervixes maskhara ou mabrush, “marcados na pele” ou talvez ainda “embriagados pelo estramônio”) e do grande califa Harum al-Raschid. Voltado à contemplação, Abu el-Atahiyya almejava um maior equilíbrio entre as glórias e o poder de Bagdá aliado a um desenvolvimento das faculdades humanas e foi com esta proposta que ele dirigiu-se ao califa, que lhe concedeu uma verba anual de cinqüenta mil moedas de prata.


Com a morte de Abu El-Atahiyya, “os sábios”, o círculo de seus discípulos, votou-lhe um culto à personalidade e para simbolizar o clã a qual pertencia, escolheram a cabra por possuir a mesma raiz do nome da tribo, ou seja (anz, aniza). Uma tocha era posta entre os chifres da cabra, (o que, talvez, na Espanha, veio a resultar na aparição do Diabo) o que, representava para eles, na verdade, a luz da iluminação intelectual. A marca tribal (wasm) lembrava muito a uma seta larga, também conhecida por pé-de-águia, ou o temido pé-de-pato das feiticeiras, que sinalava o local das reuniões. As mulheres do grupo, principalmente as mais jovens, eram marcadas com uma tatuagem, conforme o costume beduíno. É por essa época, como já foi dito, antes dos meados do século V, depois da morte de Abu el-Atahiyya, que uma parte de sua escola, ainda de acordo com a tradição, emigrou para a Espanha, que então se encontrava a mais de um século sob o domínio árabe, e vivia por lá um grande número de sírios… E foi assim que os Aniza, e entre eles um mestre dervixe, versado nas canções, usos e costumes de sua tribo, chegaram à Europa, trazendo na bagagem toda a sua cultura heróica e mágica, envolto em muitas lendas.

 


Do livro Os Sufis; Idries Shah; Editora Cultrix; por Virgínia Allan

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