Borboletas e flores, frágeis enfeites da manhã!

SONHOS DE BORBOLETA!?

 

Conto Zen

Versão Yin

Ela, um dia adormeceu e sonhou que era uma borboleta em flor. Ao acordar pensou: ‘Era eu uma mulher que sonhou ser uma borboleta? Ou sou eu uma borboleta que sonha agora ser mulher?’ Borboletas em flor lhe revoaram no pensamento e sua alma sorriu!

 

A algazarra, feita pelas crianças na praça em frente, chamou-me a atenção. Por uns momentos, deixei de lado meus afazeres e fui à janela.

O movimento era grande, com mães, babás, crianças de todos os tamanhos, casais de jovens e de idosos, pipoqueiro, vendedores de balões e de doces… Parecia uma daquelas praças de antigamente. Para meu espanto, havia até um tocador de realengo…! Uma estranha saudade dominou-me, mas antes que pudesse sufocar este sentimento, vi uma cena bastante insólita. Eis que, do nada, bailando ao sabor do vento, sai detrás de uma árvore mais afastada, uma linda menina, vestida de branco. O passinho, saltitante, fazia os cabelos, escuros e encaracolados, pularem como molas, enquanto o rostinho sardento abria-se num cálido e largo sorriso. Rapidamente, ela uniu-se às outras crianças, inventando brincadeiras e rindo, rindo sem parar.

Na ocasião, não me dei conta da facilidade com que reparava nesses detalhes, pois à distância em que me encontrava, na verdade, não o permitiria, entretanto, enxergava tudo muito bem, como se estivesse ao lado da menina.

O encanto e a curiosidade, não deixaram que eu me afastasse da janela e fiquei ali, esquecida do tempo.

A menina parecia estar só.  Onde será que estariam seus pais? Se fosse minha filha… Será que fora abandonada? Fugira de casa? Subitamente, o crepúsculo caiu e a praça começou a se esvaziar. Aos poucos, as pessoas retornavam ao aconchego de seus lares, somente a menininha permanecia só. Guardava nos olhos certo mistério, mistura de pena e inquietude. Esperava o quê? Esperava alguém? Meu coração se apertou e estava disposta a sair e perguntar se ela não gostaria de ficar comigo e amenizar, desse modo, com sua beleza e candura, os monótonos dias de minha existência, quando, sorrateiramente, a vi novamente aproximar-se da árvore de onde antes houvera saído olhar para todos os lados, com muito cuidado, e, ao perceber, que não a haviam seguido, começou uma admirável transformação.

Primeiro sacudiu os braços, lentamente, lembrando um suave bater de asas, então, num movimento mais rápido, porém, ainda suave, completou a transformação e no lugar da menina de vestido branco, pés descalços e cabelos escuros e encaracolados, surgiu uma pequenina borboleta que depois de revoar pela praça inteira veio pousar no meu nariz, e foi bem diante dele, que ela, antes de escurecer completamente, sumiu.

Outros dias parecidos com aquele vieram e passaram, todavia nunca mais sonhei acordada (sim, porque eu considerava impossível que o que eu vira fosse mesmo real) até que um dia, apesar de estar muito ocupada, deixei outra vez, por alguns momentos meus afazeres e aproximei-me da janela. De repente, detrás da mesma árvore em que outrora calei de espanto, vi surgir a minha frente, não uma, nem duas menininhas, mas um bando inteiro delas que se espalhou pela praça, distribuindo um tipo de felicidade que é impossível de permanecer, para sempre, aqui neste mundo.

O que senti foi indescritível. Posso somente e com toda certeza, dizer, que eu não sonhara, apenas negara ter visto a verdade, porque aquela cena que presenciara, por ser incomum e inacreditável, ia contra todas as crenças que me foram impostas desde criança; e que eu, infelizmente, aceitara sem questionar. Mas, contudo, não era tarde demais para mim. Realidade e sonho se confundem tantas vezes, que nos provocam uma variedade de sensações, entretanto, com um pouco de calma, procurando dentro de nós mesmos; sempre usando de bom senso, aprenderemos a distinguir a verdade da ilusão, pois seu toque pode ser sutil como o pouso de uma borboleta, porém, dela, não possuí a mesma efemeridade.

 

 

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